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O amor segundo Miguel Esteves Cardoso :)

Segunda-feira, 24.04.17

 

 

 

As crónicas de Miguel Esteves Cardoso, no Independente, fizeram-me companhia no final dos anos 80 e nos anos 90. Sempre peguei no Independente pelas suas crónicas. Não era apenas pelas ideias, sempre provocadoras e divertidas, mas também e sobretudo, pela forma, pela destreza na utilização da língua portuguesa. Um verbo podia ser tratado e revirado do avesso e inspirar todo um texto e inspirar-nos também.

Estou convencida que os textos do Miguel ainda serão objecto de estudo pela criatividade da sua construção, pela utilização e valorização dos vários elementos da frase. Os substantivos, os verbos, os advérbios, ganham vida e ficam a brincar connosco. Será muito interessante estudar a forma inovadora e as soluções que descobre para revitalizar a língua portuguesa, a língua que todos amamos.

A língua é código de comunicação, e o Miguel fala com o leitor, provoca-o, ri-se com ele, aconselha-o e até o consola. :) A língua é também instrumento musical, e percebe-se facilmente que a sua sensibilidade musical o ajudou a ouvir os sons antes de os perceber e utilizar dessa forma inovadora.

 

É com estranheza bem-humorada que leio este texto no Blog do ArLindo. Imensa informação sobre o amor-paixão da geração do Miguel e do amor prático da geração X (e dos Millennials também).

 

Tudo o que o Miguel refere como positivo no amor-paixão levou-me sempre a evitar essa confusão, território caótico de discussões sobre tudo e coisa nenhuma. O amor-paixão é intenso, excessivo. 

Os adjectivos que o Miguel utiliza são esclarecedores: amor impossível... sem uma razão... paixão desmedida...  amor cego, amor estúpido, amor doente... Mas também os substantivos: tristeza, medo, desequilíbrio... céu e inferno... E os verbos: não se percebe, não é para se perceber... correr atrás do que não se sabe, não apanha, não larga, não compreende. E os advérbios de modo: muito difícil, muito desesperadamente... 

A descrição do amor prático - conversas, compreensões, compromissos, alívio, repouso, intervalo, pronto-socorro, serenidade - soa-me como um mundo ideal, a paz doce, chegar a casa. :)

 

Claro que, sendo o texto de 1991, o Miguel pode ter entretanto mudado de perspectiva sobre o amor. Até porque encontrou, na vida real, o amor verdadeiro.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 06:52








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